Meu Quintal é uma aldeia perdida que ninguém conhece e onde nenhum artista saiu a cantar: na minha aldeia, meu sonho de menino…Mesmo Portugal não sabe que moramos aqui. Nunca aconteceu um escândalo, para a TVI vir cá fazer reportagem. Não há hospitais para os lisboetas fecharem, nem corridas de carros de bois adaptados. As vezes, ao Domingo à tarde há jogos de futebol da liga dos últimos. Mas o pessoal gosta de ir para o bar do Grupo Desportivo e Danças de Salão de Quintal, ou GDDSQ, os outros que correm atrás da bola. A idade média é de setenta anos. O povo é representado por oitenta por cento de vacas e bovinos e vinte por cento são habitantes. No meio deles a minha família única regressada do estrangeiro, tinha que ser a minha! No início propôs aos meus pais que poderíamos tentar fazer vida no Kosovo ou em Timor é sempre mais movimentado que Meu Quintal, mas nada feito. Quando era puto os amigos da escola chamavam-me francês da vinte, diziam que morei nos contentores, que o velho SIMCA do meu pai era alugado, ou até que andávamos a gamar os franceses. Sabia que da boca das crianças sai sempre as palavras ditas pelos pais. A nossa sorte é que a minha Família representava metade da população. Mas, em Meu Quintal não há cimento que suba para as montanhas, as pessoas não estragam a viatura do vizinho, os alunos não batem nem apalpam a Senhora Professora Felizinha, e não chamam nomes feios ao Senhor Guarda. Os Quintalejos são pessoas muito calmas.
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linadias
Wed 02 Apr 2008 23:27