Querem acabar com as matanças de porcos na Praça Pública. No mês frio de Janeiro, ,havia cartazes em toda a freguesia a anunciar a Festa do Porco, em plena Praça Pinheiro Manso, escritor da terra que ninguém nunca ouviu falar . Os habitantes não ressonavam descansados. Tinham os porcos para matar e era preciso terem as coisas todas em ordem para o dia da festa. Já tinham a palha de centeio escolhida para chamuscar os porcos, as facas de barbear já estavam bem afiadas. As cordas para amarrar o focinho do porco, à cabeçalha dos carros também lá estavam dependuradas, já de laçada feita. Enfim. tudo pronto para o grande dia, pedia-se ao S. Pedro que arrefecesse o tempo e a Santo António para que lhe guardasse os porquinhos ate ao dia da matança. Seus rogos não eram em vão.. As garrafas de aguardente já estavam em cima das mesas e o Povo matavam o bicho. Havia foguetes, tocadores de bombos e até muitos turistas que vinham de todo lado, da Rua Regedor, Rua do Pico, Rua do Crimineiro…., inclusive de Espanha que era do outro lado do nosso Rio Pequeno. Quando todos se preparavam para fazer a pega, os primeiros, ao deitarem-lhes as mãos sofriam logo uma ferrada e caíam na calçada a portuguesa, havia porcos a fugir, levando tudo à frente. Era tudo muito bonito…Terminado o trabalho, era oferecido, em troca de um pagamento que ajudará a reparação do telhado da Igreja Santa Justine, um almoço a quantos participaram na matança. Passado dois dias, os porcos eram desmanchados e metidos nas salgadeiras, excepto os lombos que ficam em vinha de alho durante quinze dias, para fazer os salpicões. Agora a ASAE ameaça acabar com esta tradição, iniciada no ano passado, mas o nosso povo não se ajoelha na Praça e protesta sem violência porque apesar de ser uma aldeia perto de Espanha, não somos um povo abrutalhado. Por isso que poucos foram os que votarem, só os familiares dos candidatos , que é compreensível…
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